Zine Parasita #2

Este zine é uma iniciativa Plano B - Guilherme Falcão, Drika Moto e Marco Silva. Chamamos gente pra colaborar com desenhos, fotos, textos e o que mais for… Imprimimos um monte e escondemos todos eles dentro de livros e revistas em bancas e livrarias ao redor do mundo.
“A segunda edição foi sobre a Juventude. Participaram: Ana Helena Tokutake, Davi de Oliveira Pinheiro, Maurício Adachi, Yan Sorgi, Guilherme Falcão, Yan Gomes e Lucas Rampazzo.”
Já nem me lembrava dessa colaboração. Bom que deu certo, nada como parasitar nos livros alheios.
PERSÉPOLIS e a fantástica Marjane Satrapi

Já me havia sido recomendada a leitura de Persépolis, o maravilhoso trabalho de quadrinhos realizado pela iraniana Marjane Satrapi. Como os fascículos eram vendidos separadamente, adquirir todos era um investimento pesado, de mais de R$100. Graças ao ótimo trabalho realizado pela Companhia das Letras, Persépolis foi relançado como um único livro, uma compilação de todas as edições, por um preço honesto de pouco mais de R$30.
A primeira impressão foi ótima: quadrinho adulto, com temática real e interessantíssima e o que me pareceu o maior atrativo, seu traço simples e extremamente expressivo. No decorrer da leitura, tive uma grata surpresa, que foi a constatação de um humor fantástico e uma dramaticidade palpável. A história é sim muito triste pois relata a trajetória de sua vida, desde a infância, na conturbada condição de residir no Irã, em plena época de conflito com os iraquianos. Persépolis nada mais é do que o relato de alguém de dentro, que cresceu em meio ao caos, toques de recolher e o estrondo de bombas.
Destaque para o período em que seus pais a enviam para a Áustria, na tentativa de poupá-la de tanta desgraça. “Marji” conhece então a tão sonhada cultura ocidental, o que a faz refletir todos os valores que lhe foram impostos. Com menos de 18 anos se vê sozinha e perdida na Europa, chocando-se constantemente com situações que testam todos os seus princípios. Da boemia às mais deliberadas orgias, passando de punk à traficante de drogas.
Já de volta ao Irã, depara-se com um país transformado, vivendo um período de pós-guerra onde a paranóia reina em torno dos mártires do conflito. Passa pelas mais loucas transformações, sempre tirando um aprendizado de cada enrascada em que se envolve. Os ensinamentos que lhe são passados pelos seus parentes servem como lições para toda uma vida, além de quebrar muitos tabus referentes à cultura dos países do Oriente Médio. Serve também de enriquecimento cultural em torno da saga “Árabes-Persas”, já que a autora traça um panorama de toda a história das diferenças entre os dois países.
Essencial, sensível, engraçado, surpreendente e comovente. Isso e mais um pouco é PERSÉPOLIS.
Obs.: O trabalho de Marjane Satrapi foi transformado em longa-metragem de animação e estreou no Festival de Cannes, causando ótima impressão àqueles que puderam assistir o filme. No Brasil, foi exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ainda não assisti, pois queria terminar o livro antes. Depois de vê-lo coloco um comentário.