Into the Wild
Segunda Novembro 10th 2008, 16:30
Arquivado em: CINEMARAMA

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Não é necessariamente a estréia de Sean Penn como diretor, mas provavelmente seu trabalho mais expressivo. Não vou falar muito a respeito, pra não correr o risco de ser repetitivo, caindo numa série de questões morais e humanitárias.

Ao invés disso, me limito a dizer que o filme é excepcional e mostra o ser humano em sua essência, de maneira pura, como deveria ser, ao invés dessa criatura mesquinha que tanto amo odiar.

“A felicidade não é real se não pudermos dividi-la”.

“Uma das coisas mais importantes numa relação, seja familiar ou conjugal, é perdoar. Porque quando perdoamos, o amor se faz presente. Quando o amor está presente, uma luz natural nos ilumina”.

“To call each thing by its right name. By its right name.”

“Two years he walks the earth. No phone, no pool, no pets, no cigarettes. Ultimate freedom. An extremist. An aesthetic voyager whose home is the road. So now, after two rambling years comes the final and greatest adventure. The climactic battle to kill the false being within and victoriously conclude the spiritual revolution. No longer to be poisoned by civilization, he flees, and walks alone upon the land to become lost in the wild.” -Alexander Supertramp, May 1992.



juno
Segunda Novembro 03rd 2008, 11:13
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Finalmente, após longa espera, consegui separar um tempo pra assistir Juno. Pra falar a verdade, nem sabia do que se tratava, fui mesmo atraído pelo belo cartaz do filme + o burburinho causado pelo seu destaque em festivais de cinema.

Juno é o nome da protagonista, a menina da capa. O tema: gravidez juvenil.

Já de cara o filme conta com animações bem interessantes, onde o filme se torna um desenho, este com traço bem solto. Dividido em quatro partes, o filme tem seus grandes pulos de acordo com a mudança das estações do ano. A trilha sonora é outro ponto de destaque. Além do monopólio e participação mais que exclusica de “The Moldy Peaches” (banda formada pelo divertido Adam Green e a esquisitona Kimya Dawson), conta também com ótimas pérolas como a versão de Superstar, dos Carpenters, executada de forma lisérgica pelo Sonic Youth. O filme me agradou pois trata de pessoas precoces, interessantes e diferentes, independente da idade. A grande sintonia que ocorre entre Juno e Mark, que seria o pai adotivo da criança, é deliciosa. No primeiro encontro deles, o final é uma brincadeira com violões e guitarras.

Mas o grande charme do filme fica no registro de uma amizade típica da adolescência, marcante, que resulta em amor. Bleeker, o verdadeiro pai e melhor amigo de Juno, é o mais puro exemplo da transparência e sinceridade quase sempre confundida com estranheza e alienação.

Me fez rir muito: os corredores que eventualmente cruzam a tela fazendo cooper…..ahahahaha.



vaia.sp.br
Quarta Agosto 27th 2008, 00:40
Arquivado em: TRABALHO, LIMBO, CINEMARAMA, VIDEORAMA

***

Nem lembro se já havia postado esse vídeo, mas aí vai.

VAIA.SP.BR foi um documentário que realizei no ano passado, durante as manifestações contra o governo Lula.  Muitos alegaram tratar-se de um movimento da elite e fizeram questão de não participar ou criticar o acontecimento. Independente de fatores sócio-econômicos, o que vi foi a imagem de um povo cansado. Talvez não apenas do atual governo, mas de tantas histórias tristes para o Brasil. Sem assumir qualquer tipo de posicionamento, o que fiz foi colher o que as pessoas tinham pra dizer. Alguns dizem muito em poucas palavras, outros apenas emitem sons. Mesmo depois de assistir esse material inúmeras vezes, continuo me questionando sobre a efetividade da manifestação. Ou até mesmo sobre as injustiças que se comentou lá. Nunca apoiei o PT, muito menos o Lula. Muita coisa mudou pra melhor no país depois que ele assumiu. Muita coisa piorou.

Penso que o jogo é muito maior do que se imagina, mas faço questão de participar.



Ghost World, Chacun Son Cinéma e Paris, Texas
Segunda Julho 28th 2008, 19:38
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Atualizações no cinema, reassisti Chacun Son Cinéma, um deleite para amantes dos curtas e de trabalhos experimentais, e também Ghost World, uma pérola que é uma adaptação do HQ de mesmo nome, com autoria de Daniel Clowes (Como uma Luva de Veludo Moldada em Ferro). O filme é dirigido por Terry Zwigoff (Crumb) e, apesar de retratar a vida de duas adolescentes (Thora Birch - Beleza Americana e Scarlet Johansson - Encontros e Desencontros), trata de uma temática adulta e filosófica, já discutida por inúmeros escritores, pensadores e filósofos mais renomados como Friedrich Nietzsche em seu Além do Bem e do Mal, ou não tão ilustres assim, como Martin Paige no divertido Como Me Tornei Estúpido. Fala da futilidade humana, na linha que divide o fútil do essencial, o falso do verdadeiro e a imitação do autêntico. Critica os tempos atuais através dos hábitos, costumes e perfis das personagens que sempre entram em conflito com as duas garotas, salvo raríssimas exceções. Tem a rebeldia juvenil em diversos momentos, mas consegue, como um HQ adulto, rechear a história de conteúdo atípico e inesperado, forte característica de Clowes. A poética do final, da menina que toma um ônibus e desaparece no mundo é fantástica.

Inédito até então, assisti Paris, Texas, obra-prima do alemão Wim Wenders. Com certeza um dos melhores filmes que já assisti, partindo da belíssima fotografia para uma história excelente, de roteiro cativante. Conta a história de um homem (Travis) que é encontrado perdido e sem memória, reflexos de um trauma intenso do passado. O filme vai em busca desse passado, tentando entender seus motivos. Como ponto de partida, Travis reencontra seu filho, de quem se afastara quando este ainda era um bebê. Ambos iniciam um processo de reaproximação que culmina numa grande amizade e então, saem em busca da mãe. Apesar do enredo comum, o final, tanto quanto o resto do filme, impressiona.

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Homesick
Terça Julho 22nd 2008, 00:38
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Enclausurado, o que tem me restado são os filmes e a música. Dos filmes, os mais recentes foram “Cartas de Iwo Jima”, “O Sétimo Selo”, “Little Miss Sunshine”, “This Is England” e o repeteco de “Alta Fidelidade”. Todos ótimos filmes, com destaque para “Little Miss Sunshine”, que é fantástico. A cena da família correndo pra entrar na Kombi me fez chorar.

Já na música, um estudo intensivo das Trilhas Sonoras. Algumas velharias e coisas mais contemporâneas. Além delas, alguns clássicos como Marvin Gaye e Curtis Mayfield, só pra não perder o groove. Novidades? Colossal, que lembra um Cap’n Jazz menos descontrolado e a meiguíssima Mallu Magalhães. Uma amiga já havia recomendado como indicação pra quem curte o Bob (Dylan, não Marley) e finalmente tive o prazer de ver e ouvir. Com apenas 15 anos, fazendo um som que remete ao próprio Dylan + influências fortíssimas de The Moldy Peaches e Kimya Dawson. Pra quem não quer esperar pelo álbum de lançamento da petite, a ser produzido por ninguém menos que Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Beck, Bjork, entre outros), segue a dica: Kimya Dawson! É beeem parecido, a garota despontou com a trilha sonora do filme Juno. Além dos citados, peguei também os novos de Aimee Mann e Sigur Rós. Aimee voltou à simplicidade, sem o foco dos álbuns conceituais. Pra quem curte, ótima pedida. Já os islandeses voltaram com uma fórmula já praticada nos últimos trabalhos. Cada vez mais, deixam de lado o aspecto sombrio e caótico para uma sonoridade mais festiva e inteligível.

Fora isso, nos projetos pessoais, tentei pegar o violão esses dias e meu braço quase caiu. Paciência. Mais um pouco dela.



Fotos: Cinema em Paulínia
Segunda Julho 14th 2008, 18:06
Arquivado em: TRABALHO, CINEMARAMA

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No celebrities allowed. No meio de tantas pessoas famosas, foi um desafio tirar fotos sem que nenhum deles marcasse presença. Paranóia? Nem tanto pois, no meio de tanta tietagem, eram as pessoas comuns que me atraíam, por sua forma de lidar com os famosos. A maioria se deslumbrava, chorava, suspirava e gemia só de olhar pras estrelas. Mas algumas peças raras me chamaram mais a atenção por sua integridade, discrição e charme natural. Eram crianças carentes, alunos da APAE, faxineiros, seguranças, garçons, etc. Pedir autógrafo? What the hell for?



1º festival paulínia de cinema
Domingo Julho 13th 2008, 22:31
Arquivado em: TRABALHO, CINEMARAMA

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Acabou de rolar, de 05 a 12 de Julho, o 1º Festival Paulínia de Cinema, inaugurando o belíssimo Theatro Municipal de Paulínia, que também se tornou um “Templo do Cinema”. Para esta celebração, foram exibidos filmes de produção nacional (curta, documentário e longa-metragem), com destaque para a estréia do ator Selton Mello no papel de diretor e o grande retorno de Mojica, o “Zé do Caixão”, à grande tela e desta vez, com qualidade. O filme foi produzido pela Gullane Filmes e marcou a estréia de Mojica trabalhando com uma grande produção. Sua presença no evento foi marcante e o mesmo foi aplaudido de pé por muitos que acompanharam sua luta solitária na realização de seus trabalhos.

Outros grandes marcaram presença, como Carlos Recheinbach, Marcelo Machado, Leon Cakoff, Tata Amaral, etc. Destaque também para a homenagem à Laís Bodanzky, que apresentou o delicado “Chega de Saudade”, contando com a presença de mais de uma centena de idosos que acompanharam o filme com brilho nos olhos. A diretora, que teve sua estréia com o premiado “Bicho de Sete Cabeças”, emocionou-se com o público presente.

Considerando que todo o projeto foi idealizado pela Prefeitura Municipal de Paulínia, teme-se que não haja o mesmo comprometimento com a cultura em administrações futuras, o que acabaria com o sonho de muitos em tornar Paulínia o mais novo pólo cinematográfico do Brasil. Na cerimônia de encerramento ocorreu uma leitura de um abaixo-assinado, que era um pedido encarecido de prosseguimento ao que foi iniciado, por parte dos atores, diretores e realizadores presentes no festival.

Além da exibição e competição dos filmes, houveram debates, seminários e palestras referentes ao assunto CINEMA.

Experiência fantástica e prazerosa, trabalhar neste evento serviu para reforçar uma relação que se fortalece a cada dia.

VIVE LE CINÉMA!



FREELANCEANDO PELAS RUAS
Segunda Junho 30th 2008, 19:11
Arquivado em: TRABALHO, LIMBO, CINEMARAMA

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Ahhhh, a vida de freelancer. O que dizer da vida de freelancer?

No meu conhecimento, ser freelancer era ser como Peter Parker no Clarim Diário. Era ser fotógrafo, durango, atrapalhado e solitário. Era trabalhar com a incerteza e a insegurança o tempo todo. Era dormir com medo do dia seguinte. E era rezar para conseguir um emprego fixo. A ignorância é uma bênção.

Ser freelancer é detestar rotinas, regras fúteis, ambientes imutáveis o tempo todo. É como um flerte com o incerto, da forma certa. É fazer contatos, planos e estruturar-se pra evitar ficar parado. Mas de repente, quando você sente que precisa, WHAAM! Férias! Um mês, um ano, você decide. Sei que soa irresponsável e até infantil enxergar as coisas dessa forma, mas me desculpe, antes a vida, depois o trabalho. Se você ama seu trabalho fixo, então somos dois amantes de nossas vidas. Ponto.

Não diretamente ligado à questão de ser freelancer, mas totalmente intrínseco à liberdade em si, este último final de semana foi uma terapia só. Como encerramento da “Semana Não-Oficial de Comemorações do Centenário Japonês”, começamos no Studio SP, de endereço novo e muito menos charme que o anterior. O lugar perde em todos os aspectos, ficou com aquela cara de bar da Augusta e o público também mudou. Surpreendente foi a apresentação de Amy Winehouse! Cover, claro, porque a verdadeira deve estar hospitalizada, ou respondendo à processos jurídicos. Claro que ficamos receosos, mas bastou a garota começar a cantar e rebolar pra que todos entrassem no clima. E dançamos, dançamos e dançamos.

No sábado pela manhã, a idéia era peregrinar. Sob o pretexto de colocar os pés na rua para um simples almoço, fizemos uma caminhada de quase 6 horas de duração, pelas ruas e bibocas de Sampa. A companhia era a melhor possível, a dupla dinâmica ELA, com Micaela-Daniela, incansáveis roqueiras-elkes maravilhas-goiabas-andarilhas-dançarinas-job-a-holics-lindas-saltitantes. Achamos um restaurante bem charmoso, comemos arroz de cachaça e feijão rico (!?) e perambulamos até não aguentar mais. Voltamos, assistimos “O Passado”, de Hector Babenco e nos assustamos com as loucas que habitam esse mundão.

No domingo tivemos a baixa de Daniela, mas não nos entregamos. A bola da vez foi o cinema e “Control” o filme em questão. A película tem um aspecto envelhecido, quase PB, e uma atmosfera rocker, típica de uma época onde a originalidade ainda reinava. Ian Curtis era um mero adolescente, depressivo, com tanta ânsia de se expressar que acabou tragado pela própria imensidão de sua mente descontrolada. O filme acabou, o ânimo ainda restava. Era a fagulha final, o que restava de um job fantástico. E nessa encruzilhada regada à Chocolate Quente com Conhaque e Rum, caminhamos por uma Avenida Paulista deserta, fantasmagórica. Quase tudo ficou pra trás, as brigas, dores, alegrias e tristezas.

O que restou foi um elo inquebrável.

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My Blueberry Nights (Wong Kar Wai)
Sábado Abril 19th 2008, 14:22
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Novo filme de Wong Kar-Wai, My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado), inclusive, mais um exemplo claro de uma tradução do título que descaracteriza completamente o filme. O nome original tem o charme que liga à história. O nome no Brasil parece um apelo a um público demente que necessita de uma chamada extremamente romântica para ir ao cinema. Sexta-feira, cinema escolhido como opção de última hora. A sessão havia iniciado há 5 minutos e na correria, entramos mesmo assim. Sala escura e semi-vazia, subindo as escadas para achar um lugar no alto, fui tomado por um momento hipnótico e lindo, quando ouço tocar “The Greatest”, da Cat Power. Esta que também aparece no filme, mas como Chan Marshall, a atriz estreante. Mulher de sensibilidade extrema, ilumina o filme com sua pequena participação. Ok, sentamos os 3 (eu + Carol + Luanda) e inicia-se então uma conversa bizarra entre dois personagens do filme, que vai da torta de blueberry até um pote de chaves esquecidas pelos antigos donos. Mais do que um simples pote, mais do que simples chaves, simboliza a quebra de hábitos, de relacionamentos. São chaves de pessoas que não querem mais voltar pra casa. E abandonam as chaves, como quem abandona o passado. Como protagonista, a também cantora Norah Jones prova que também é versátil e expressiva. Existem alguns momentos mezzo-constrangedores, mas em suma ela cumpre o papel. E 3 mulheres (com semelhanças físicas, na minha opinião) integram o elenco principal, ao lado do ator inglês Jude Law: Rachel Weisz, Natalie Portman e a já citada Norah Jones. Ao contrário do que muitos acreditavam ser inevitável, Wong Kar-Wai não se rendeu ao formato hollywoodiano de fazer cinema, mantendo sua assinatura poética. O filme tem cores deslumbrantes e o diretor consegue criar uma fotografia belíssima, mesmo filmando a maior parte em centros urbanos dos EUA. O filme tem as minúcias e paranóias do diretor quanto a estética, refletidas através de imagens que atravessam janelas distorcidas, néons que colorem as cenas e um ritmo diferente, com alteração de frames, criando uma câmera lenta nervosa e aflita. Em comparação a outros trabalhos de renome, não atinge o ápice de 2046 ou Amor à Flor da Pele, mas não decepciona os que admiram seu trabalho. E se levarmos em conta que outros diretores já tentaram seu ingresso em Hollywood de forma medíocre (vide Walter Salles e seu nojento “Água Negra”), Wong Kar Wai (re)começou bem.

E talvez o seu primeiro road movie….rs.



É TUDO VERDADE: American Psyche
Sexta Abril 04th 2008, 18:55
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Mais um ano, mais uma edição do festival de documentários É TUDO VERDADE, idealizado pelo também documentarista e multi-funções, Amir Labaki.

Um ótimo trabalho dentre os apresentados chama-se “American Psyche”, dirigido pelo holandês Paul van den Boom. Em uma viagem entre Los Angeles a Nova Iorque, o diretor retrata um país diferente daquele que muitos acreditam conhecer. Mostra um país preocupado com seu declínio iminente, deixando transparecer sua insatisfação e medo perante o resto do mundo. É o presidente Bush invadindo e dominando o Iraque contra a China em crescimento avassalador. E um povo servindo de bode expiatório no meio desse conflito.

Durante a exibição do filme, o diretor apresentou-o em português (lendo uma nota, ok) mostrando a sensibilidade de quem sai de seu país para conhecer de perto um pouco mais do povo mais odiado do mundo.

Faz parte do bloco “O ESTADO DAS COISAS”, na mostra de documentários. Gratuito.