FREELANCEANDO PELAS RUAS
Segunda Junho 30th 2008, 19:11
Arquivado em: TRABALHO, LIMBO, CINEMARAMA

freelance01_trad.gif

Ahhhh, a vida de freelancer. O que dizer da vida de freelancer?

No meu conhecimento, ser freelancer era ser como Peter Parker no Clarim Diário. Era ser fotógrafo, durango, atrapalhado e solitário. Era trabalhar com a incerteza e a insegurança o tempo todo. Era dormir com medo do dia seguinte. E era rezar para conseguir um emprego fixo. A ignorância é uma bênção.

Ser freelancer é detestar rotinas, regras fúteis, ambientes imutáveis o tempo todo. É como um flerte com o incerto, da forma certa. É fazer contatos, planos e estruturar-se pra evitar ficar parado. Mas de repente, quando você sente que precisa, WHAAM! Férias! Um mês, um ano, você decide. Sei que soa irresponsável e até infantil enxergar as coisas dessa forma, mas me desculpe, antes a vida, depois o trabalho. Se você ama seu trabalho fixo, então somos dois amantes de nossas vidas. Ponto.

Não diretamente ligado à questão de ser freelancer, mas totalmente intrínseco à liberdade em si, este último final de semana foi uma terapia só. Como encerramento da “Semana Não-Oficial de Comemorações do Centenário Japonês”, começamos no Studio SP, de endereço novo e muito menos charme que o anterior. O lugar perde em todos os aspectos, ficou com aquela cara de bar da Augusta e o público também mudou. Surpreendente foi a apresentação de Amy Winehouse! Cover, claro, porque a verdadeira deve estar hospitalizada, ou respondendo à processos jurídicos. Claro que ficamos receosos, mas bastou a garota começar a cantar e rebolar pra que todos entrassem no clima. E dançamos, dançamos e dançamos.

No sábado pela manhã, a idéia era peregrinar. Sob o pretexto de colocar os pés na rua para um simples almoço, fizemos uma caminhada de quase 6 horas de duração, pelas ruas e bibocas de Sampa. A companhia era a melhor possível, a dupla dinâmica ELA, com Micaela-Daniela, incansáveis roqueiras-elkes maravilhas-goiabas-andarilhas-dançarinas-job-a-holics-lindas-saltitantes. Achamos um restaurante bem charmoso, comemos arroz de cachaça e feijão rico (!?) e perambulamos até não aguentar mais. Voltamos, assistimos “O Passado”, de Hector Babenco e nos assustamos com as loucas que habitam esse mundão.

No domingo tivemos a baixa de Daniela, mas não nos entregamos. A bola da vez foi o cinema e “Control” o filme em questão. A película tem um aspecto envelhecido, quase PB, e uma atmosfera rocker, típica de uma época onde a originalidade ainda reinava. Ian Curtis era um mero adolescente, depressivo, com tanta ânsia de se expressar que acabou tragado pela própria imensidão de sua mente descontrolada. O filme acabou, o ânimo ainda restava. Era a fagulha final, o que restava de um job fantástico. E nessa encruzilhada regada à Chocolate Quente com Conhaque e Rum, caminhamos por uma Avenida Paulista deserta, fantasmagórica. Quase tudo ficou pra trás, as brigas, dores, alegrias e tristezas.

O que restou foi um elo inquebrável.

control.jpg   passado.jpg



100 Anos se passaram
Quarta Junho 25th 2008, 16:25
Arquivado em: TRABALHO, JAPÃO EXPRESS

centenario1.jpgcentenario2.jpgcentenario4.jpgcentenario31.jpgcentenario5.jpgtaikos2.jpgbatekos2.jpgprincipe2.jpgcentenario62.jpgcrewnoite2.jpg

Foi uma viagem. Há alguns meses, ponderei sobre ingressar numa empreitada como coordenador de vídeos. A proposta parecia boa, a consideração e o lugar nem tanto, mas quase entrei. Do outro lado, uma pretensa proposta de participar das comemorações oficiais do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a acontecer no Anhembi (Palácio das Convenções +Sambódromo). Foi um curto espaço de indecisão, mas agora tenho a plena certeza de que tudo foi pro melhor lado possível.

O evento teve duas partes distintas, com alguns pontos comuns. Iniciou-se na Semana Cultural, dentro do “Pudim” ou Palácio das Convenções e teve sua conclusão épica na pista do Sambódromo, com a presença do príncipe Naruhito, vindo direto do Japão. Na Semana Cultural, a coisa era mais delicada, com artistas independentes e uma estrutura minuciosa com o projeto cenográfico de Jum Nakao. A equipe foi legal até certo ponto, depois se perdeu em algum lugar. Migrando para o Sambódromo, a história foi beeeem diferente. Não era uma equipe, era uma família. Todos os dias nos reuníamos no quarto de alguém, pra tomar cerveja, ouvir música, rir bem alto e tomar chá. No evento, era uma colaboração intensa, onde todos ajudavam a todos, salvo raríssimas excessões que nem valem ser comentadas. Quando algo deu errado e alguém chorou, os outros estavam lá pra apoiar e levantar a moral. Quando tudo terminou, estavam todos lá novamente, abraçados, chorando, pulando e celebrando.

Não houveram trabalhos ou equipes melhores do que essa. Pro encerramento com chave de ouro, estávamos lá, numa sala obscura dentro do Sambódromo, com DJ, pista de dança, churrasco, vodka, dançando feito loucos como quem se liberta, expurgando os demônios interiores. E todos felizes da vida. Foi uma viagem.

crewsol1.jpg



Not Enough Time
Quinta Junho 19th 2008, 23:38
Arquivado em: LIMBO, JAPÃO EXPRESS

calvin_et_hobbes_2.jpg

Ultimamente não tem sobrado tempo pra nada. Sem tempo pra me barbear, pra sair com os amigos, pra ensaiar, pra visitar lugares ou sequer, pra andar na rua. Vida de hotel, indo e vindo sempre nos mesmo lugares, com as mesmas pessoas, num espaço que abriga gente envolvida com 3 eventos distintos: uma feira têxtil, uma feira de turismo e uma feira japonesa. Os cafés-da-manhã são divertidos e os encontros de elevador são multi-étnicos.

Ontem conheci um grupo de Taiko (Tambores Japoneses) vindos diretamente de Tokyo para a apresentação que ocorreu hoje, há poucas horas atrás. Não pude ver, mas encontrei um dos integrantes do grupo pelos corredores. O cara me convidou pra visitá-lo em seu país, em sua casa.

Not enough time, for all that I want for you. Not enough time for every kiss. And every touch, and all the nights, I wanna be inside you.



Centenário da Imigração Japonesa no Brasil
Quinta Junho 12th 2008, 13:17
Arquivado em: JAPÃO EXPRESS

kasato_maru_2_22.jpg

Começou! A partir do dia 13.06 iniciam-se as comemorações oficiais do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, estendendo-se até o dia 22.06. A festa começa no Palácio das Convenções do Anhembi, com apresentações de grupos de dança, orquestras, teatro, exposições de origamis, tanabatas, mangás, animés, cosplay, etc. O encerramento ocorre no auditório Elis Regina com apresentação solo de Fernanda Takai interpretando Nara Leão, e também no Sambódromo, com a presença do príncipe Naruhito que vêm do Japão para as comemorações.

O evento é organizado em parceria entre a Fundaçao Japonesa no Brasil com a ROCK Comunicação, onde trabalho atualmente. Todo o projeto cenográfico foi elaborado por Jum Nakao, estilista que realizou um trabalho fantástico na decoração do Anhembi.

À todos que simpatizam com a cultura japonesa, vale a dica. As atrações são fabulosas, com artistas independentes e pequenos grupos que detém um charme inigualável. O simples fato de acompanhar os ensaios quase me arrancou lágrimas. No evento em si, isso vai ser inevitável. Toda a história de um povo que desbravou o desconhecido em busca de uma nova vida está prestes a ser celebrada em grande estilo, afinal, 100 anos não é para qualquer um.

A quem for, me chamem no telefone pois estarei lá todos os dias, o dia todo. E sentamos para um bate-papo com sakê.

BANZAI!



Por que? Como conseguem?
Sexta Junho 06th 2008, 00:16
Arquivado em: LIMBO

02711x.jpg

O dia tem amanhecido como não amanhecia há muito tempo. Meus dias tem sido iluminados por uma força que eu desconhecia. A vida está se encaixando, as peças que faltavam estão sendo alocadas e algumas dúvidas e medos estão sendo superados, o que é verdadeiramente bom.

Concluo que o meu ritmo deve sempre seguir o meu metabolismo, este aceleradíssimo. Não funciono com gente lerda, gente que gosta de esperar a vida acontecer, que leva a vida nas coxas, que não assume responsabilidades, que usa o lado infantil (que é essencial) para momentos indevidos. Se eu pudesse, de verdade, exterminava tais tipos como se extermina pragas e baratas. Mas não posso. O que posso fazer é me distanciar e manter-me longe. E é isso que tenho feito. A ação deve vir antes que o pensamento, ou na pior das hipóteses, em companhia do mesmo. Pensou demais, perdeu.

E é nesse ritmo alucinante que tenho levado a vida nos últimos tempos, trabalhando no sistema “8 days a week”, dormindo pouco, bebendo muito, fumando muito, saindo bastante, beijando e dançando o tempo todo e esboçando sorrisos antes de dormir. E que seja assim sempre.

Maaaaaas, nem tudo é um mar de rosas azuis, como adoro dizer. Algumas pessoas não conseguem sorrir, não se permitem ser felizes e tentam transferir sua infelicidade às pessoas ao redor. O certo é rir disso tudo e às vezes até consigo. A meta? Fazer isso sempre.

Agora, contra olho gordo, inveja, críticas e afins, descobri um remédio: Abstração Total 100mg. Eu olho pro outro lado, o lado mais belo.



Momentos indescritíveis
Quarta Junho 04th 2008, 05:07
Arquivado em: LIMBO

miles_davis.jpeg
Sabe aquele momento especial? Quando você almeja ou deseja muito alguma coisa e de repente, quando você menos espera, conquista. A dificuldade ou talvez a falta de palavras que estejam à altura do que se sente é gratificante. É gostoso sentir-se bem. Por mais que eu tenha meus momentos de frustração, minhas perdas e meus bloqueios, hoje eu tive um dia ótimo. Aqui estou eu, as 3:55h da manhã, escrevendo no meu blog, ouvindo a Aimee Mann sussurrar “Save Me” após o deleite de “Wise Up”, que ouvi uma amiga cantarolando há dois dias atrás. Tomando o meu décimo quinto copo de café, acompanhado de um chiclete de canela, sozinho na Rock, meu local de trabalho. Vou dormir aqui hoje, porque está chovendo, porque estou de moto e porque tenho um compromisso logo cedo. Escrevo isso pra que eu lembre daqui um tempo, quando parar pra reler alguns posts, sem pretensão alguma. Pra você que lê essa declaração, provavelmente não fará muito sentido. Ah, hoje fomos no Teta, lugar charmosíssimo que teve a presença de um quarteto de Jazz impressionante, especialmente pelo bateirista, fenomenal.

Assim terminou um dia perfeito.



Medo da loucura
Terça Junho 03rd 2008, 19:02
Arquivado em: LIMBO

ogritomunch.jpg

Constantemente me deparo com pessoas malucas. Pessoas que conversam sozinhas ou imaginam um ser fantasioso com quem trocam idéias. Pessoas que fazem gestos, dançam, gritam ou saem correndo atrás dos outros pelas ruas, que dormem em qualquer lugar, comem e bebem o que encontram pela frente. E desses, alguns se dizem felizes.

Em algumas ocasiões tentei conversar com essas pessoas e até consegui, de certa forma. Todos tem histórias pra contar. Alguns relatam o passado, dias melhores, convívio com uma família e até empregos e atividades de grande importância. Talvez seja tudo mentira, idéias malucas oriundas de um cérebro alcoolizado. Mas estes são os casos mais comuns e relativamente previsíveis.

Porém, existe uma outra facção que me assusta. São aqueles que, no lugar de histórias, apresentam devaneios. Não falam coisa com coisa, disparam um grito do nada, sem a menor explicação. Fazem caretas bizarras, te pegam pelo braço e te soltam com a mesma facilidade. Alguns chegam a agredir, como uma espécie de auto-defesa.

E é isso que me preocupa. Tornar-me um desses malucos, da noite pro dia. O medo não é infundado, devido a um histórico problemático, com acessos de raiva, abstração da realidade e em muitos momentos, a ausência do medo.

Não me permita enlouquecer.



24 horas nonstop!
Domingo Junho 01st 2008, 14:58
Arquivado em: LIMBO

sunrise.jpg

Hoje pela manhã li uma reportagem na Trip deste mês que aborda a questão do trabalho em casa, embasado nas novas (ou nem tanto) tecnologias como MSN, Wi-Fi, servidores com acesso remoto, comunicação via rádio ou celular.

Quem nunca pensou e sonhou em trabalhar em casa, deitado na rede, debaixo das cobertas, ou numa cadeira de praia e óculos de sol? Os laptops estão mais acessíveis e visíveis em todos os lugares. Ok, mas o que parece ser o ápice da evolução trabalhista, pode ser uma faca de 2 gumes, ou um tiro a sair pela culatra.

Das pessoas que testaram, relatos interessantíssimos. Casos de solidão, sensação de desemprego, pijama grudando ao corpo e o caos cerebral causado pela quebra da rotina. Por outro lado, alguns economizaram o tempo antes gasto no trânsito e o substituíram com outras atividas tais como cinema, caminhada, mais horas de sono e afins.

Como era de se esperar, praticamente todos sentiram falta do calor humano e do contato com os amigos da labuta diária. As decisões importantes também foram afetadas pois não se escreve como se fala, não sem o olho-no-olho.

Em suma, o que se concluiu é que num futuro muito próximo, ou presente para alguns, não haverá a necessidade da assiduidade imbecil, de bater o cartão de ponto mesmo quando não existe absolutamente NADA a ser feito no trabalho. E com isso, diminuímos o trânsito, o stress, a ociosidade e o mais importante, a INFELICIDADE.

Trace seu plano, pondere sobre a questão e esteja preparado para brigar por um pouco de qualidade na sua vida.