Cão Sem Dono - parte 2
Quarta Junho 27th 2007, 12:41
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CINEMARAMA
Finalmente consegui tempo e disposição pra tirar a prova do novo e tão comentado filme de Beto Brant. Nada como a última sessão de uma terça-feira nula. Ao chegar no cinema, dei de cara com um burburinho que não consegui identificar o motivo. Cheguei a pensar que seria por causa do filme que fui ver, mas percebi que se tratava de outra coisa. Ao entrar na sala específica para o filme, aí sim me senti em casa. Cinema vazio, alguns gato-pingados e um casal se bolinando freneticamente logo atrás do meu assento.
O filme. Quando o filme começa, você sente-se jogado no meio de uma história já em andamento. Parece que faltou uma explicação de onde se passa a história, qual o contexto, etc. Mais adiante fica claro que tantas explicações não fariam sentido algum e pior, estragariam o enredo. Cão Sem Dono exala sensibilidade. Ciro, o protagonista, é uma mistura daquilo que não queremos pra nós mesmos + o tipo de gente que faz falta em nosso dia-a-dia. Marcela é a luz.
Existem momentos memoráveis marcados por simples frases ou expressões. Idéias que, acredito eu, foram elaboradas pelo diretor e não pelo escritor. São sutilezas do audiovisual e não da literatura. A performance da atriz Tainá Muller cantando “Moonshiner” da Cat Power é fantástica. Dos detalhes que mais impressionaram, vale citar a relação entre Ciro e o “cachorro-que-não-tem-nome”. Segundo ele, cachorro não precisa de nome, você só precisa chamá-lo assoviando, ou chamando-o de “cachorro”. E nessa relação, a primeira alusão ao nome do filme: “…eu não sou o dono dele. Sou só um amigo…”. Outro ponto fantástico é a relação entre Ciro e o motoboy que atropela Marcela. Ciro o admira pois vê nele um cara que descobriu o segredo da vida, pelo menos de sua própria vida. Uma pessoa que constituiu família, tem um emprego, uma casa e é feliz assim. Ao contrário do próprio personagem que parece buscar uma verdade interior.
Pra mim, essa foi a mensagem do filme. Simplicidade atrelada à felicidade. Viver ao invés de sonhar.
E o cão morreu.
P.S.: No Espaço Unibanco tem um cartaz do filme com 3 páginas de anúncios de cães para adoção. A maioria vira-latas, claro. Todos tem nome e caras pra lá de simpáticas. Adote o seu!
As Voltas + Vai Se Fuder, Sil Vous Plait
Sabe quando você perde algo ou alguém e logo se surpreende pensando: “Ok, lá se foi, nunca mais, perdi, etc”? Ando pensando nesse assunto com muita frequência. Como isso começou? Bom, não vou lembrar dos detalhes em ordem cronológica, então vou apenas citar fatos. Quando a Bjork lançou seu disco MEDULLA, ouvi, re-ouvi e pensei: “não gostei”. Daí comecei a pensar aquelas coisas supracitadas. E eis que lá vem ela com seu novo disco intitulado VOLTA (?!). Uma única audição e senti que ela estava de volta de verdade. Mais tarde ouvi outra notícia. Dinosaur Jr. e Erasure estavam de volta, com discos novos de ótima qualidade. Claro que, se eu quisesse enumerar todas as voltas, este seria um post gigantesco. Pixies foi e voltou. Acho que só não volta mesmo quem morreu.
E foi assim também com vários detalhes da minha vida. Coisas vêm e vão, às vezes vão mais do que vêm. Novamente, poderia alongar isso citando um monte de passagens, mas não vem ao caso. Pra resumir: ontem voltamos com um de nossos finados projetos. Inclusive, foi o que gerou o nome original desse espaço. Claro que não há ninguém pra dizer isso, portanto, direi eu mesmo: “Bem-vindos de VOLTA, Quebrei o Rádio!”.
Segue também mais uma produção a la toscos.
“GATO-PINGADO” + Rendendo-se à tecnologia…
É……eu bem que tentei. Foram anos, desde o surgimento do ICQ. Aquela febre, todo mundo queria ter e queria usar. Eu aderi, experimentei e quando houve o boom do MSN, eu simplesmente desisti. Não gosto dessa sensação de radar ou GPS. Todo mundo te acha, todo mundo te incomoda e você perde a privacidade (se é que isso ainda existe). Foi uma boa luta, totalmente embasada em questões ideológicas. Mas tudo vai perdendo o sentido, a Microsoft é a vilã da história, mas e aí?
O tempo passou e eu estava feliz. Até tentar fazer upload de vídeos, fotografias, imagens, etc. Aí percebi que precisava aprender isso, aquilo, ou seja, entender e me situar no ano de 2007. Acho que eu devia estar em meados dos anos 90. Hoje? Bom, penso que, usado de forma racional, tudo pode ser útil. Seja o youtube, o maldito messenger que resisti tanto e até mesmo o “amado + odiado” que é o orkut. Bom, junto à esse post tecnológico (nem tanto para alguns), coloco meu novo vídeo chamado “GATO-PINGADO”.
“Cão Sem Dono” (that´s what i am)
Terça Junho 12th 2007, 12:51
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CINEMARAMA

Hoje é a pré-estréia do novo filme de Beto Brant. Tudo começou quando um certo alguém comentou: “Você precisa ver esse filme”. Tudo bem, quem sabe. Daí fui assistir “Proibido Proibir” e deparei-me com algumas pessoas que vestiam a camiseta-cão-sem-dono, além de portarem alguns cães tomba-latas. Peguei o flyer, li a sinopse e o dia se tornou cinza. Daí vi o trailer. E tem essa tal cena do cara atravessando uma rua com seu companheiro a segui-lo. E tem a belíssima “Moonshiner” da Cat Power, com aquela roupagem “casal em casa tocando violão e cantando”. Acabou, foi o suficiente. Agora só falta o filme na íntegra. Daí fico pensando, qual será a minha reação ao término, ao meio e ao início desse filme-espelho. Hoje vou ao cinema.
PRA DESCER TODO SANTO AJUDA
Vídeo realizado na faculdade de cinema. Rapaz tenta se suicidar e é interrompido por um amigo.
Quem é você? Um ensaio sobre a juventude
Sexta Junho 01st 2007, 13:18
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LIMBO
Eu sou aquele que não envelhece. Aquele que corre, cai, rola e não se machuca. Sou o mesmo que estava sentado ontem nesta mesma mesa de bar, embriagado, como estou agora. Amanhã? Não sei, talvez algo diferente, pois a mesmice cansa. Também sou aquele que não dorme, que chega e sai num mesmo fragmento de tempo, que age por impulsividade, chuta a tudo e a todos e depois, no âmago da madrugada, sente o peso do mundo em suas costas. Eventualmente me pareço com aquele que aprecia a companhia dos amigos, mas constantemente sou o outro, que padece sozinho em seu pequeno mundo de maravilhas individuais. Ando com os tais que beiram a margem da loucura, da esquizofrenia, gritando e gesticulando em locais públicos, causando furor nos que deixaram de ser como nós. Mas sinto-me diferente. Às vezes sou mutante, transformando-me de acordo com as mais adversas ocasiões. Sou o dançarino, o músico, o artista, o pintor, o ator. Ainda sou dos poucos que não escondem as lágrimas ao deparar-me com uma realidade que clama por mudanças, e com freqüência sinto-me inerte, de mãos atadas. Como transformo o mundo ao meu redor? Posso ser a incógnita, o indecifrável, incompreendido, irreverente e irrefreável, aquele que faz as pessoas pensarem, que extrai o que há de mais intenso na personalidade dos alheios. Idealista? Sonhador? Somos os filhos do encontro de Andy Warhol, James Dean e Bob Dylan com Anais Nin, Audrey Hepburn e Patti Smith. E mesmo assim, renegamos nossos pais. Pois somos mais, vamos além, voaremos mais alto. Mas também é comum que eu me sente, acenda um cigarro, olhe para a janela e me sinta um zero, distante de tudo que almejo ser. Mas não tem de ser assim, nem sempre foi assim, chega de ser assim! Pois damos mais de mil voltas por cima e os fracassos passam a ser meros obstáculos tornando a vida mais interessante. Sempre serei o sangue que fervilha e borbulha em suas veias. Aquele que jorra das mutilações e das cicatrizes, que inunda o branco do seu olhar e te deixa cego. Sou a mulher bem antes de ser o homem. Sou o brilho que ofuscou a luz do sol. Sou o que todos almejam ser, o ápice, o clímax e o auge. Que alguns lamentam ter perdido, que outros idealizam com ansiedade. Sou o mesmo, ainda homem, ainda louco, ainda forte, ainda jovem.