m u s i c 4 e v e r ?
Quarta Maio 30th 2007, 19:05
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MUSIK
Esta é segunda vez que paro pra escrever esse texto. Já estava pronto, mas fui sabotado pela tecnologia e sabe-se lá aonde o bendito foi parar. Unfun…
Eu falava sobre envelhecer junto com a música que ouvimos. Falava sobre a montanha russa que tem sido esta trajetória que iniciou-se anos atrás, via Beatles, Ray Conniff, Buddy Holly e foi seguindo, passando pelo Punk Rock, migrando para o Rock Alternativo, perambulando pelo Jazz, Blues e aterrisando no Instrumental Psicodélico Progressivo Eletrônico. Por que, de repente, as guitarras cansam nossos ouvidos? E o que aconteceu com o prazer de ouvir uma voz aveludada percorrendo a estrada sinuosa de uma melodia?
Não se trata de mudar de lugar, abandonar um filho ou renegar o passado. É mais ou menos como um amigo me disse ontem: “SOMOS UMA ESPONJA”, enquanto somos novos, absorvemos tudo, tudo nos interessa. À medida que vamos envelhecendo, perdemos o poder de absorção. Ficamos mais exigentes, aplicamos um filtro. Daquilo que crescemos ouvindo, muita coisa permanece. Não com a mesma constância, óbvio, mas quando nos sentimos nostálgicos. Daí fico pensando: meu processo tem sido, pouco a pouco, um desligamento evolutivo, progressivo e por etapas. Primeiro, o formato padrão de estrofe, refrão, estrofe, terceira parte. Depois as guitarras. E os vocais. O que vem depois?
NOMURA PROUD
Mais um boletim direto do Rio de Janeiro. Na verdade, essa é a última noite por aqui, o que é muito triste. Nestes últimos dias consegui encontrar um de meus aspectos pessoais há muito perdido por aí. Esse “choque cultural” me fez lembrar dos anos no Japão, me fez lembrar de como eu deveria e talvez até costumava ser. Me fez perceber que não existe o mínimo de patriotismo dentro de mim. Me fez perceber que apresentar o lado bom daqui não é uma tarefa fácil, principalmente se você tentar fazê-lo com pessoas oriundas de países de primeiro mundo. Que artista brasileiro, ao entrar num set de filmagem, inclinaria-se diante de todos dizendo: “Oi a todos, vou me esforçar o máximo possível, por favor, tenham paciência comigo”? Considerando que a atriz em questão conhecia 10% das pessoas presentes, isso é inimaginável para nossa cultura. Os americanos são cliché às vezes, mas você percebe a diferença. Enfim, o Brasil terminou a corrida em terceiro lugar.
Juntos, nós almoçamos, bebemos, demos risadas, passeamos, trabalhamos e cá estamos.
Leni Andrade acabou de tocar para um público de 20 pessoas, num espaço que respira bossa nova. Ironicamente, ela olhou para mim, o único brasileiro da mesa, e disse: “Você está entendendo o que eu estou dizendo? De onde vocês são?” Japan, Estados Unidos e “Burajiru”. Ela riu, cantou e encantou. Assim também foram as reuniões, trilíngues e divertidas.
Hoje, todos os brasileiros da equipe foram embora. Três dos japoneses também. Dos que ficaram, foi a primeira vez que um deles fez aniversário no Brasil. Regado à muita caipirinha. Hoje a atriz japonesa chorou antes de ir embora, dizendo que foram momentos inesquecíveis. Um deles me mostrou a filha hoje cedo, via webcam e me chamou pra conhecer Tokyo e ficar em sua casa.
Mas amanhã vamos todos embora. Com alguma coisa a mais, com certeza.
Foi uma verdadeira viagem.
Thanx, domo arigatô, valeu!
CINEMA NO RIO
Depois de um recesso involuntário, cá estou em Ipanema, de frente para o mar, ao lado do Restaurante Vinícius, tendo chegado pelo aeroporto Antônio Carlos Jobim e esquentando os tamborins para uma apresentação de Bossa Nova com Dianna Miranda e convidados. Ah, e trabalhando também, which is great.
O motivo: um cliente do Japão, que contatou sua produtora em Tokyo ao deparar-se com o que parecia ser a locação ideal para seu produto: ” PERSIANAS” …rs. A tal produtora de Tokyo acenou para seu parceiro em produção de Los Angeles (Michael Deane, que realizou trabalhos com gente do tipo Andy Warhol, Paul Newman, whatever). “Claro, tenho um amigo no Brasil que acabou de dirigir o longa “NOEL - O poeta da vila”, o qual deve interessar-se na proposta. Pois neste exato momento, aleatoriamente, estava eu enviando currículos da forma mais despretensiosa. O cara recebeu, pensou no trabalho e, uma semana depois, cá estamos. A história é maior, os detalhes menos importantes. Então falamos em português, inglês e japonês. Os japas chegaram cheios de energia, querendo Bossa Nova, Caipirinha, Feijoada, Praias, Mulheres e …(!!!) Homens! A atriz é japonesa, o que por si só é um espetáculo à parte. Típica japonesa sorridente, com aquele ar meigo e pensamentos impuros. A Produtora também é woman e as duas juntas são bem malucas. Um dos japas quer surfar, outro quis, tanto que conseguiu e, enquanto estou aqui escrevendo de um quarto de hotel já fedendo cigarros, lá está ele, pulando feito um macaco em pleno Maracanã. Tudo bem, Fluminense e Brasiliense não é lá um jogo memorável, mas o estádio é e eu bem que gostaria de estar lá com eles. Buuuuut, sabe como é, Diretor de Cinema é excêntrico, gosta de fazer reunião às dez da noite smoking pot and everything. (: O
Enfim, tem tanta coisa pela frente que eu bem que estou curtindo a solidão. Paz. privacidade, Velvet Underground, uma coca gelada, cigarros and stuff like that.
Pela janela, o mar. Na calçada, putas. No hotel, um time de algum esporte vindo dos EUA, com loiras de 1,80m zanzando de lá pra cá. Nada mal num primeiro momento, mas elas praticamente fedem quando comparadas à delicadeza oriental presente.
Bem, só pra constar, mesmo que de igual importância, a locação é o REAL GABINETE DE LITERATURA PORTUGUESA. Dizem por aí que trata-se do maior acervo de LP da América Latina. Hoje, durante o Tech Scout, deu pra conferir a obsessão kamikaze do cidadão japonês. Livros, livros, clarabóia de vitral, lustres gigantescos e nomes de grandes referências da casa pintados pela parede. Sim, o lugar é maravilhosamente belo. Não, eu não viria do Japão pra cá somente para essa filmagem. Não, talvez não seja só impressão, but I think there’s more involved. Sim, eles defecam dinheiro e isso muda o conceito geral da cena.
Last and probably least, estou com minha fiel companheira de aventuras, registrando tudo, como o terceiro olho, pois quem sabe da posteridade? Além do que, é minha primeira vez com película e isso se tornará uma video-aula. O nome do filme?
“NOMURA PROUD” …..is that an authentic japanese stuff or what?
P.S.: como isso foi escrito em MAC, possivelmente existem erros…..but who cares?