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A referência dizia: “Um dos filmes mais tristes já feitos”. E eu logo imaginei tratar-se de um melodrama água-com-açúcar, com acontecimentos previsíveis e a já renomada fotografia do cinema oriental, mais especificamente o japonês. Daí vieram as surpresas. E que surpresas! Sim, a exímia fotografia está lá, mas não se trata de um simples melodrama, mas um drama da melhor qualidade (coisa rara) com progressão dos personagens, sentido poético e um panorama bem diferente da terra do sol nascente. A trama envolve uma família japonesa atípica, onde encontram-se quatro crianças e sua respectiva mãe, uma errante que fora abandonada pelo marido e que alimenta um sonho de uma vida livre, junto de um novo amor. E para isso, ela os abandona.
O filho mais velho e também o protagonista do filme é Akira Fukushima, um garoto de 12 anos de idade, que, assim como seus irmãos, não freqüentou a escola e sente muito por isso. Uma vez abandonados, têm de lidar com a falta de dinheiro, responsabilidades da vida adulta e uma incerteza quanto à volta daquela que os colocou no mundo.
Assim como em Dança Comigo, trata-se de uma história intrínseca à cultura oriental, pois demonstra diferenças culturais e comportamentais. Apesar da idade e das circunstâncias, todas as crianças da família tem um senso de realidade admirável e inédito se comparadas às crianças ocidentais. O titulo do filme se deve ao fato deles residirem num pequeno apartamento quase que clandestinamente, uma vez que o senhorio não permite crianças pequenas. Cria-se então uma regra que os proíbe de deixar o apartamento sob qualquer circunstância, com exceção de Akira, que passa a ser o responsável pela busca de alimento.
A história progride e a situação se torna cada vez mais adversa com o passar do tempo. Logo, estão todos com o cabelo por cortar, roupas sujas e rasgadas e sem ter o que comer. Sentindo que estão próximos de seus limites, decidem quebrar algumas regras e passam a desfrutar, de maneira controlada, do privilégio de sair de casa, brincar e até fazer amizades. Todos tem altos e baixos, momentos em que a boa índole é questionada por pequenas tentações. O ápice acontece com a morte de um dos irmãos, que eclode numa mistura de realização de sonhos e a ciência de que não há um futuro promissor a aguardá-los.
Sim, o filme é dos mais tristes, mas de maneira inteligente, simples e real. Mais uma pérola oriunda do cinema japonês.