Infeliz

Junho 30th, 2009

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Às vezes bate essa sensação de infelicidade, inutilidade e vazio. Acordar, viver esses dias sem muita graça, sem nenhum grande acontecimento por vir. Não tenho vontade de sair da cama, de abrir a janela e ver a luz do dia. Não tenho fome e também não iria à cozinha mesmo que a tivesse. Não quero sair do quarto. Já é um esforço e um sofrimento virar-me pra acender um cigarro.

Em dias assim eu simplesmente não sei o que fazer. Não tenho vontade de ver nem falar com pessoas. Só esse vazio.

Sinto falta das emoções fortes. Do amor intenso, da adrenalina, da intensidade de amigos que não me visitam mais, de ser o maior motivo da alegria de alguém.

Hoje sinto-me um animal enjaulado. Um deficiente físico. Não me tiraram a perna nem o braço. Mas não sinto mais o coração.

Se eu pudesse voltar no tempo

Junho 4th, 2009

Se eu pudesse voltar no tempo, iria pra onde tudo começou, pra viver tudo de novo, pra fazer tudo de um jeito diferente.

Tomaria os cuidados especiais, especificamente, àquelas questões que se tornaram os maiores problemas.

Olharia pra tudo com mais atenção, prestaria mais atenção em você, aproveitando o tempo que durou.

Ficaria por perto por mais tempo, mais presente, abraçado, respirando no mesmo ritmo que a sua respiração.

Preencheria os espaços com um sorriso, tornando cada momento especial, quase como realmente foi.

Faria de tudo pra algumas coisas não acontecerem, mas também sei que seria um deleite, afinal de contas, o que vivemos enquanto estávamos bem foram momentos inesquecíveis.

Outsiders

Maio 13th, 2009

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Eu ando entre as pessoas e finjo ser parte do todo.

Rio das piadas e comentários mas não vejo tanta graça assim.

Aparento estar dentro quando na verdade sou o mais ausente.

Ainda sobre trabalho

Abril 15th, 2009

Me disseram outro dia “Se eu ganhasse na Sena, arrumaria um trabalho como hobby. Porque não aguentaria não fazer nada”.

Eu aguentaria fácil.

Pessoas que trabalham como freelancers lidam bastante com isso. Nas janelas entre os trabalhos, uma semana em casa não é lá coisa rara de acontecer. Alguns piram. Eu vejo aí a oportunidade de simplesmente viver. Salvo as devidas proporções, porque não trabalhar por muito tempo é um problema maior ainda.

O cara que disse que o ser humano precisaria trabalhar 5 dias para folgar 2  devia ser algum empresário ou político mantenedor das massas. Porque isso é simplesmente robótico, diferente do que somos como essência. Hoje é tendência uma nova proposta de formato de trabalho, com mais flexibilidade, possibilidades e ganhos. Quando isso ocorre, é comum relacionarmos à atividades de significado discutível e/ou questionável.

Mas muitos escapam do formato padrão. Fisicamente falando. Difícil deve ser na essência, porque ainda permeia essa sensação de medo, insegurança, monitoração, impotência. Não sentir isso é quase um crime.
E volto a pensar na essência, no que realmente faz sentido, no que realmente importa. Questões oníricas.

Quanto tempo a gente leva pra dizer algo agradável a alguém?

Qual a diferença entre uma recepção calorosa e um simples “Oi”?

Às vezes parece-me que estamos deixando o tal Modus Operandi influenciar até mesmo as questões do afeto e do carinho.

Falta-nos tempo até pra isso?

Modus Operandi

Abril 14th, 2009

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Cada vez mais ouço pessoas questionando o modelo de vida moderno, o que vivemos, nosso dia-a-dia. São imposições já consideradas banais, mas tente ver dessa forma:

- você tem que trabalhar de segunda à sexta, quando não aos sábados, QUANDO NÃO AOS DOMINGOS!

- seu dia começa cedo, infalivelmente. Não são raros os casos de pessoas que madrugam, por volta das 5h.

- o trânsito. Quase infalível, afinal, todos seguem a mesma cartilha, todos saem ao mesmo tempo de casa, é uma verdadeira terapia: você sabe que vai ter que encarar isso, tenta se preparar e quando menos percebe, já embutiu na sua labuta.

- não fazer o que gosta. Neste caso, o tabu é ainda maior. A maioria sofre por aí afora, incontestável. Aos poucos que conseguem fazer o que gostam, os desvios aparecem aqui e acolá. Voilá, aqui está você, com anos de estudo, sentado numa sala gélida, empurrando tudo com a barriga.

-  mais trânsito. Tudo que você quer é chegar em casa depois de um dia estressante no trabalho. E não consegue. Ou leva cansativas horas para atingir este “grandioso” objetivo. Faz malabarismos, pega caminhos longínquos porém menos cheios, briga com as pessoas na rua, comete atrocidades. E nos tão aguardados feriados ou finais de semana, você só quer sair da cidade, relaxar, curtir o mar, o campo, a brisa. E leva horas pra isso, paga pedágios ultrajantes, pega estradas mais ultrajantes ainda. E tudo é normal, desse jeito mesmo, “faz parte”. Daí você relaxa, mas se estressa novamente pra subir a serra.

É, meu caro. A vida que você leva pode estar próxima do fim. E o que você fez até agora?

O que você está fazendo agora?

Novos passos

Abril 11th, 2009

É, quem mandou perguntar?

Agora sigo novos passos, alguns podem ser seguidos aqui: http://mauricioadachi.blogspot.com/ , que será uma segunda casa, um pouco mais organizada e voltada ao trabalho. Novas descobertas musicais, estas bem mais positivas: Calexico, com o último álbum, Carried to Dust, 2008 - tons latinos, letras em inglês e castelhano, projeto idealizado por dois caras que contam com uma puta banda, no melhor estilo Ennio Morricone; Crooked Fingers, ouvi o Forfeit/Fortune, 2008  -tem um lado R.E.M., forte influência do oeste norte-americano e um intrumental complexo e sofisticado. Destaque para a última faixa Your Control, que tem participação especial da última boa novidade, Neko Case, com seu álbum Middle Cyclone, 2009 - só a capa já vale, que é a própria empunhando uma espada, descalça em cima de um carro antigo, pronta pra matar a todos com sua música ora totalmente comum e pop, ora estranhamente melódica. Neko (gato, em japonês), não é uma cantora nova, imatura ou principiante, muito pelo contrário, demonstra sua familiaridade com a própria música. Sua voz remete à Natalie Merchant, porta-voz dos 10.000 Maniacs, com um tom mais jovem. Vale ouvir.

***

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Quinta-feira, numa reunião de trabalho, o cliente soltou a melhor frase de todas: “Sabe o que eu sinto quando vejo os vídeos de hoje? Eles não tem vida.”

Me fez pensar bastante no que quero fazer daqui pra frente. Como se eu já não pensasse demais…

Um dia a dois

Abril 6th, 2009

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Entre tempestades e furacões

penso no que seria o ideal

para nós, aqueles que se machucam

penso no que ouço, no que você me diz

fico feliz, idealizo uma vida inteira

e ouço algo mais, tudo parece desmoronar

encanto que vem e vai, palavras desgastadas

e algumas nunca proferidas, até então

que me fazem pensar

que me fazem triste

por sentir a superfície tão de perto.

Foi um dia bom, como nos velhos tempos, rimos juntos, andamos juntos. Abraçados, entrelaçados e muito próximos um do outro. Experimentando chapéus, óculos de sol, ovas de peixe e visitando amigos. Tudo parece bem. Mas e depois? O que acontece depois?

Fora do centro

Março 30th, 2009

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Conversando com meu amigo Daniel, contava a experiência idiota de como quebrei minha mão esquerda. E começamos a viajar na idéia de que pode existir mesmo um CENTRO em nosso cérebro, um ponto de equilíbrio. Chegamos nisso ao lembrarmos que merda nunca vem desacompanhada, mas sim aos montes. Quando algo realmente dá errado,TUDO parece querer seguir a mesma rota e aí bate aquela sensação “estou zicado, preciso me benzer, só me fodo, etc”.

Daí tem a teoria do CONTAR ATÉ 10, como se fôsse um aviso, um ultimato tentando mostrar que ainda existe uma última chance de você evitar a tal catarse. Não sei bem como as pessoas lidam com isso, se elas praticam o exercício ou se falo apenas de uma minoria. “Eu tento contar até 10″. Às vezes.

E tudo começou errado no seu dia. Acordou e já está atrasado ou bateu o pé na cama ou queimou as torradas ou derramou o leite ou o café saiu forte demais ou o carro enguiçou, blablabla. Quando é que as coisas começam a melhorar ou amenizar? Quando nos acalmamos? Quando esvazia o reservatório? Isso pode ser biológico, científico?

My brain is fucking melting…

Quebrei a Mão

Março 28th, 2009

Ainda por cima, a esquerda. (Post redigido com 3 dedos da mão direita). Porra, de novo…

Radiohead@Sampa

Março 23rd, 2009

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Enfim, eles vieram. Foram 10 anos de espera, muita expectativa e uma esperança que já estava se perdendo. Era o último show a ser visto. O último que realmente me importava. Não vou ficar falando do preço caro, da organização que foi lastimável, etc. Já tem outras pessoas falando sobre isso.

Quanto ao setlist do show (em detalhe, mais abaixo) achei fantástico. Senti falta de High and Dry, Morning Bell, I Might Be Wrong, Just, entre outras. Mas Paranoid Android, Fake Plastic Trees, Everything In Its Right Place e o In Rainbows inteiro cumpriram seu papel. Lágrimas escorreram em Videotape. Red, Blue, Green.

Show de luzes, pontualidade britânica, carisma e muita presença de palco.

O último grande show da minha vida, no auge.

Radiohead
Chácara do Jóquei, São Paulo, Brazil
March, 22, 2009

15 Step (In Rainbows)
There There (Hail To The Thief)
The National Anthem (Kid A)
All I Need (In Rainbows)
Pyramid Song (Amnesiac)
Karma Police (Ok Computer)
Nude (In Rainbows)
Weird Fishes/Arpeggi (In Rainbows)
The Gloaming (Hail To The Thief)
Talk Show Host (B-side - Trilha Sonora do filme Romeu e Julieta)
Optimistic (Kid A)
Faust Arp (In Rainbows)
Jigsaw Falling Into Place (In Rainbows)
Idioteque (Kid A)
Climbing Up The Walls (Ok Computer)
Exit Music (For A Film) (Ok Computer)
Bodysnatchers (In Rainbows)

Encore 1
Videotape (In Rainbows)
Paranoid Android (Ok Computer)
Fake Plastic Trees (The Bends)
Lucky (Ok Computer)
Reckoner (In Rainbows)

Encore 2
House of Cards (In Rainbows)
You and Whose Army (Amnesiac)
True Love Waits (I Might Be Wrong)/Everything In Its Right Place (Kid A)

Encore 3
Creep (Pablo Honey)